Sobre Bem-vindo a 1984 distopia ou profecia

Começamos com uma antevisão de nosso cosmos, em que os autores nos situam na obra 1984. Em seguida temos a reimaginação de um 1984 negro, onde Luiz Gama salta das telas dos minutos de ódio para a realidade imaginada de um 1984 negro que, não tendo sido escrito, precisa sê-lo. Paramos então por um momento para refletir em meio à vertigem, sobre a questão dos direitos humanos, tanto no país de 1984 quanto na distopia Brasil-contemporâneo. Vemos como essa distopia se instala então na atualidade pelas teletelas dos telefones, constituindo uma sociedade de vigilância, realçada pela pandemia. Vemos o mundo pós-totalitário do século XXI, o Grande Irmão está mais presente do que nunca, agora na forma de Mercado e Capital. Vemos também a atualidade da novafala e dos cometimentos atuais de crimideia. Pensamos aí na possível inspiração de Orwell em Montesquieu e no despotismo planejado no Brasil. É a vigilância permanente, precisamos relembrar em uma pausa, voltando nossa atenção para os mineradores de dados que controlam nossos destinos. Percebemos o mundo passar como sinistro caleidoscópio em dez cenas do mundo real, que não podemos mais distinguir se é 1984 ou o dia a dia na padaria da esquina. É ódio, mas há um método nele, poderíamos dizer, parafraseando o famoso bardo inglês em seu Hamlet, quando acompanhamos a estética do ódio se aliar a sentimentos escatológicos. Nossa jornada ruma então ao seu ápice nos sujeitos e assuntos submetidos ao ódio, misoginia, necropolítica, violência. O mergulho final é no ódio, um conto de ódio, tal qual temos vivido, por tempo demais.

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