Portada de O menino que carregava pães

Ficha del libro

O menino que carregava pães

Sobre O menino que carregava pães

Há meninos que carregam bolas, carrinhos, livros, sonhos. Benjamin carrega pães. Carrega o cheiro quente da cozinha de Raquel, o dourado macio da challah, a doçura da geleia, o vermelho profundo do suco de romã e carrega levemente a amizade. Antes que o mundo lhes diga quem são, Benjamin, Omar, Jamal, Mourad e Habib sabem apenas que são amigos. E isso basta. As crianças conhecem o riso, o jeito de correr, a voz que chama para brincar, a mão que divide o último pedaço. As fronteiras chegam depois, desenhadas por adultos, mapas e medos. Chegam como linhas que não aparecem no chão, mas que, de repente, tentam separar aquilo que a infância havia unido com a simplicidade de uma brincadeira. Em O menino que carregava pães, a guerra não entra pela porta; ela invade o cotidiano. Interrompe o jogo. Apaga a conversa. Faz do porão um abrigo e do silêncio uma forma de esperar. Lá fora, casas se desfazem, ruas perdem seus contornos, famílias procuram umas pelas outras. Lá dentro, quatro meninos contam o tempo com a fome, com a sede e com a esperança de ouvir uma voz conhecida. Então Benjamin decide ir. O medo acompanha seus passos, aperta sua garganta, faz sua respiração caber dentro do pequeno espaço onde ele se esconde. Ainda assim, há dentro dele uma certeza maior: os amigos não podem ficar sozinhos. Benjamin leva uma o amor e carinho na mochila. Dentro dela, pães, água, suco, algumas bolinhas de gude. Há histórias que nos pedem respostas. Esta nos pede presença. Pede que olhemos para essas crianças sem transformá-las em números, símbolos ou distâncias. Pede que escutemos o que permanece humano mesmo quando tudo parece perdido: a amizade, a fome, a saudade, o desejo de voltar para casa. Nas delicadas páginas que seguem talvez precisem ser lidas devagar, com pausas entre uma imagem e outra, entre uma palavra e o silêncio que fica depois dela. Crianças e adultos poderão encontrar aqui uma conversa sobre a guerra, mas também sobre aquilo que a guerra não consegue destruir completamente: a capacidade de cuidar, de repartir, de lembrar e de chamar alguém pelo nome. Benjamin carrega pães. Carrega também uma promessa que pesa mais do que a mochila e é mais leve do que a esperança: a promessa de que ninguém deveria ser deixado para trás. Que este livro encontre leitores capazes de ouvir o que há de mais silencioso em sua história. Que o pão seja repartido. Que os nomes permaneçam. Que a coragem de Benjamin não seja apenas admirada, mas compreendida como um chamado ao cuidado. E que, ao fechar estas páginas, cada um de nós se pergunte, baixinho, como quem oferece um pedaço de pão: quem precisa de mim agora?

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