
Ficha del libro
Anais do 9º Encontro Nacional da ABRI O velho está morrendo e o novo ainda não pode nascer
Sobre Anais do 9º Encontro Nacional da ABRI O velho está morrendo e o novo ainda não pode nascer
No Encontro de 2023, a frase de Antonio Gramsci “A crise consiste precisamente no fato de que o velho está morrendo e o novo não pode nascer; nesse interregno, uma grande variedade de sintomas mórbidos aparecem”, nos inspira a refletir e debater sobre as contradições e tensões globais em curso. Se, por um lado, assistimos, sobretudo desde a crise financeira de 2008, a crise da hegemonia neoliberal, por outro lado, o novo ainda não conseguiu se impor. Nesse interregno, políticas de austeridade e ajuste estrutural continuam a ser naturalizadas, a acentuada flexibilização do mercado de trabalho e o desmonte do Estado social continuam a produzir vidas precárias e a racionalidade política da competição segue orientando a conduta de indivíduos e Estados produzindo severos efeitos socioambientais globais. O Encontro propõe um engajamento com as múltiplas crises anunciadas, do neoliberalismo, do capitalismo e do autoritarismo. Entretanto, também pretendemos nos engajar no debate com as estratégias pelas quais esses sistemas se reinventam, fazendo da crise um modo de governar e adiando seu colapso. Essas estratégias de resistência, contudo, têm desencadeado reações violentas por parte daqueles que sentem que a capacidade de conservação dos seus privilégios e visões de mundo encontram-se ameaçadas. Para assegurar a reprodução da ordem hegemônica, contudo, o consenso vem combinado com muita coerção sob a forma de políticas de segurança punitivas voltadas sobretudo para populações pobres, periféricas e racializadas. O Encontro também representa uma oportunidade para refletirmos mais especificamente sobre a disciplina das Relações Internacionais e seu papel na definição do senso comum que, como destaca Steve Smith, constitui o maior ato de poder político. A partir da guerra na Ucrânia, temos assistido à retomada vigorosa das perspectivas realistas imaginadas em crise no cenário do pós-Guerra Fria e a resiliência de um velho mundo teorizado pelos realistas a partir da competição entre grandes potências, do expansionismo territorial, da balança de poder e da ameaça posta pelas armas nucleares. As indefinições geopolíticas são agravadas pelas disputas hegemônicas entre Estados Unidos e China, gerando incertezas e expectativas sobre o futuro. O Encontro pretende lançar luz sobre as transições geopolíticas, sociais, ecológicas e políticas em curso.
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