Portada de Promotoras Legais Populares Justiça Comunitária no  Enfrentamento à Violência de Gênero e Raça: Um caderno (in)formativo Geledés

Ficha del libro

Promotoras Legais Populares Justiça Comunitária no Enfrentamento à Violência de Gênero e Raça: Um caderno (in)formativo Geledés

Sobre Promotoras Legais Populares Justiça Comunitária no Enfrentamento à Violência de Gênero e Raça: Um caderno (in)formativo Geledés

Fundado em 30 de abril de 1988 por mulheres negras, Geledés – Instituto da Mulher Negra consolidou sua missão político-institucional no enfrentamento ao racismo e ao sexismo, tendo como eixo central a valorização, a promoção e a defesa dos direitos das mulheres negras. Ao longo de sua trajetória de 38 anos, nossa organização tem atuado a partir da compreensão de que a luta pela vida, pela dignidade e pelos direitos das mulheres deve estar profundamente enraizada nos territórios e nas realidades concretas em que essas vidas se desenvolvem. Essa perspectiva orienta nossa atuação na construção de estratégias de transformação social comprometidas com a justiça racial e de gênero e os direitos humanos. Na área de Gênero, Raça e Equidade de Geledés, partimos da compreensão de que o enfrentamento às violências de gênero e raça demanda abordagens que transcendam a dimensão normativa e a oferta institucional de serviços, exigindo a articulação comunitária, a atuação em rede e a presença contínua nos territórios. Essa perspectiva fundamenta-se no reconhecimento de que as mulheres mais vulnerabilizadas pelas múltiplas formas de violência são também portadoras de conhecimentos, estratégias e práticas fundamentais para sua prevenção e enfrentamento. Historicamente construídas nos contextos territoriais, essas ferramentas e saberes têm orientado a resistência ao racismo estrutural, ao sexismo e às diversas desigualdades que incidem de maneira desproporcional sobre as mulheres negras, constituindo referências centrais para a formulação de respostas mais efetivas, contextualizadas e comprometidas com a promoção da justiça social e da equidade. Nos diálogos que estabelecemos com inúmeras mulheres, ao longo desses 38 anos de história vemos, na prática, como as opressões se interseccionam e produzem obstáculos complexos e multifacetados para a garantia de direitos, o que nos demanda um olhar atento, escuta acolhedora e intervenção multisetorial. Por isso, produzimos inúmeras formações, pesquisas, escutas, intervenções que nos ajudam a compreender e explicitar como as violências de gênero, raça, classe e território se articulam, produzindo contextos de vulnerabilização social, econômica, política e institucional que se transformam persistentemente para a manutenção das relações de poder. É por causa dessa compreensão que defendemos que o enfrentamento das diversas formas de violência contra as mulheres negras passa, necessariamente, pela transformação das estruturas que sustentam processos históricos de exclusão e negação de direitos. E, a nosso ver, isso só vai acontecer a partir da escuta das mulheres que vivenciam e enfrentam as violências nos territórios.

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