Sobre O que minha mente grita, eu transformo em poesia

Este livro nasce como quem empurra um barco para o mar sem saber exatamente a força das correntes. Aqui, a poesia não vem do domínio da técnica, mas da urgência de dizer, pois os versos são diretos e, às vezes, crus, escritos por alguém que ainda está aprendendo a se ouvir no meio do próprio “eu”. No decorrer do livro, o eu lírico se constrói enquanto navega, enquanto sente a corrente, enquanto erra a rota e enquanto aprende a corrigir o rumo e isso é perceptível nas poesias que se constroem cronologicamente – mesmo não tendo conexão direta entre si. Além disso, o barco ainda não é robusto, ele pede ajustes e sente o impacto das ondas; ainda assim, há coragem em sair da margem mesmo assim. Portanto, caros leitores, este não é um livro de chegada. É o inicio de uma travessia. Ao longo das páginas, percebe-se um poeta que se aventura, que arrisca, que escreve antes de dominar — e isso diz muito. Há temas grandes, densos e urgentes, atravessados por uma escrita que ainda se lapida. Faltam, às vezes, profundidade lírica e recursos estilísticos mais elaborados? Sim. Mas sobra verdade, inquietação e vontade de dizer. Este livro não tenta parecer um porto seguro antes do tempo; ele assume o barco que tem, encara o mar e convida o leitor a acompanhar a travessia. Falar do GV, para mim, é falar de memória viva, porque vi a escrita nascer tímida, ganhar coragem e virar refúgio. Lembro dos intervalos, quando ele se aproximava para me mostrar seus versos e perguntar o que eu achava (e como aquilo me emocionava). Eu achava isso um máximo. Sentia-me importante por ser escuta, assim como me senti ao ver seus desenhos ganhando forma, intenção e identidade. No fim, este livro também carrega esse encontro entre quem aprende e quem ensina — e, muitas vezes, troca de lugar. Por isso, ao romper com a padronização tradicional da orelha de livro, faço aqui um desvio intencional para agradecer: por compartilhar sua arte comigo, por me ouvir, por me permitir aconselhar e também aprender. Hoje, ao ver esse barco lançado ao mar, ainda em construção, mas em movimento, reconheço a coragem de quem decidiu navegar apesar das ondas, porque tudo aquilo que a mente grita, quando encontra escuta e sensibilidade, pode — e aqui pôde — se transformar em poesia. - Prof. Will Júnio

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