
Ficha del libro
A Não-Violência na Educação da América Latina Volume 4
Sobre A Não-Violência na Educação da América Latina Volume 4
A não-violência nunca poderá ser corretamente definida. Ela é indefinível. É um momento, um estar, um sentir. Surge ora perto, outrora distante. Como seres humanos, somos falhos; cometemos erros e agimos com equívoco, movidos por paixões, raivas e desentendimentos. Contudo, enquanto educadores – ou mesmo como docentes – não nos cabe a desesperança, pois também atuamos com amor e em busca da paz. Na sala de aula, ou nas letras de um artigo científico, somos o mais perfeitos que conseguimos ser, o mais próximos da não-violência do existir. Mesmo que as palavras sejam persuasivas, combativas, como em alguns textos deste livro, os signos da produção intelectual acadêmica transitam pela paz interior, ou seja, pela leveza criativa. Talvez seria melhor indicada como “paz educativa” ou interpretada como práxis educativa . Valdo Barcelos, autor do prefácio do volume anterior da coletânea, mestre de muitos dos autores presentes nesta obra, já afiançava que a não-violência não poderia ser delineada, mas, ao encontrá-la, todos a reconheceriam. Aliás, quando definimos o nome “não-violência”, resolvemos deixar com o hífen, mesmo que qualquer regra gramatical orientasse a não existir tal símbolo. Entendemos o “não-violência” como um encadeamento vocabular, associação ocasional de palavras com objetivo ideológico e histórico de conscientização cívica e cidadã. Isso, pois, o conceito inicial pairava pela educação e a violência na América Latina. Todavia, como pensadores da própria existência, o “debate interior”, no sentido de “debater-se”, acabou levando-nos à contraposição do termo inicial, cunhando um significado um tanto mais positivo, apesar da negativa: “não-violência”. Ao ser acrescido a “educação”, intencionou-se abarcar o sinônimo de paz e de avanço humanista e por que não dizer: humanitário. Os integrantes desse livro se conhecem. Não todos entre si, mas uns com outros e, especialmente, cada um a si mesmo: sabem de seus sonhos e de suas limitações; constroem os seus projetos e ultrapassam os obstáculos da vida, acertando e errando, como todo e qualquer ser humano. É bem verdade que cada um tem o seu ponto de vista, com seus teóricos mais chegados (na cabeceira); com ideias, ideais, ideologias, abstrações e ações bem características do seu caminhar. Não pense você que encontrará somente assertivas convergentes, concatenadas, durante todo o livro. Ao contrário, os intelectuais aqui presentes, nos artigos produzidos de forma individual ou coletiva, tiveram a total liberdade (e responsabilidade) pelo que lançaram ao papel, no espaço destinado a sua criação. Portanto, o leitor topará com capítulos antagônicos entre si, com exposições diversificadas e abordagens distintas. Não obstante, existe a congruência da busca da humanização pelas palavras; diga-se, algumas fundamentais letras.
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