
Ficha del libro
COGITAÇÕES DIVERSAS (ensaios breves)
Sobre COGITAÇÕES DIVERSAS (ensaios breves)
Prefácio Há pessoas que escrevem, há escritores, e há aqueles — raros — que escrevem porque precisam escrever, porque suas almas só se aquietam quando traduzem em palavras aquilo que o mundo insiste em calar. Emerson Monteiro é desses. Mas é muito mais do que isso. É um encantador de silêncios, um jardineiro das emoções humanas, que colhe da vida suas sementes brutas e as cultiva em textos que florescem ternura, reflexão e beleza. Já o dissemos antes; mas dizê-lo novamente é quase um dever: não é fácil ser um bom escritor. Mais difícil ainda é ser um escritor que pense com profundidade e sinta com doçura. Emerson transita nesse raro entrelugar com a naturalidade de quem já encontrou o ponto de encontro entre o coração e a consciência, e fez dele sua morada. Cogitações Diversas é testemunho disso. Nele, o autor começa por nos lembrar que as palavras não são submissas. Confere autonomia aos vocábulos, como se cada um fosse um ser pulsante, que apenas empresta sua presença ao escritor que ousa convocá-lo. Um texto que nos desafia a olhar a linguagem não como ferramenta, mas como força viva, indomável e encantatória. Depois, sua filosofia telúrica nos mostra que, mesmo com os pés fincados no chão da experiência, vale a aventura de pensar os céus do desconhecido. Emerson nos conduz por sendas em que a existência não se desenha em esboços, mas sim se escreve com tintas indeléveis da escolha, da dúvida e do espanto. Mais à frente o autor mergulha num silêncio anterior ao próprio tempo, tocando as bordas do indizível, onde o nada já prenuncia o verbo. Medita em tom quase místico, onde o leitor sente-se convocado a não entender, mas a pressentir. E é justamente nesse pressentimento que mora a beleza mais alta de sua escrita: a de não explicar o mundo, mas de reconduzir-nos à sua misteriosa inteireza. Em alguns de seus preciosos textos o Emerson que se revela é aquele que, sem medo de nomear a esperança, nos convida à travessia. Fala-nos das perdas e das superações com a serenidade de quem já aceitou que viver é também perder — e ainda assim, cultivar jardins. Aqui, mais que conselhos, o autor semeia sementes: e cada leitor, em seu próprio terreno, colherá flores diferentes. E quando, vez ou outra, volta-se ao solo fértil da memória, o faz não como um saudosismo que se agarra ao passado, mas como um jardineiro das lembranças que, mesmo murchas, ainda exalam perfume. A escrita de Emerson Monteiro é, nesse ensaio, como uma fotografia em sépia: fala do que se foi, mas com tanto calor que quase podemos tocá-lo.
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