Sobre A história quebrada da completude

O pintor Henri Michaux nos disse uma vez que “não é no espelho que devemos observar-nos”, para ele devíamos “nos contemplar no papel”. Ao iniciar a leitura de A História Quebrada da Completude, somos convidados à contemplação de nossas inquietudes e humanidades dispostas em um tabuleiro onírico e atemporal. De primeira viagem, Maria Luiza Artese nos entrega um livro que reflete sobre o próprio ato narrativo, a metafísica do contar. Aqui, sentimos o peso de uma narrativa densa que se dissolve na escritura ágil e diligente de sua autora. Como disse Paul Celan: “o lugar a partir do qual o poeta se orienta e projeta a realidade é a própria linguagem”. E nesse universo de múltiplas linguagens, seus hibridismos e funcionalidades, Maria (re)constrói um movimento experimental na prosa romancesca, relembrando naufrágios, monstros do mar e sereias.

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