
Ficha del libro
A roça, a mata e a sala de aula Agroecologia e saberes tradicionais nas escolas a partir da visão de professores e mestres do Sul da Bahia
Sobre A roça, a mata e a sala de aula Agroecologia e saberes tradicionais nas escolas a partir da visão de professores e mestres do Sul da Bahia
Há pelo menos seis décadas, a agroecologia tem sido o mote de uma contrarrevolução silenciosa na América Latina. Nas gretas da pujança econômica da Revolução Verde (sic), que estruturou o modelo de agronegócio em nossos países, milhões de camponeses – em sua maioria indígenas, negros e mestiços – têm realizado uma miríade de experiências locais autônomas, frequentemente apoiadas pelos movimentos de educação popular, por entidades de apoio técnico, geralmente não governamentais, e pelos agentes católicos oriundos da Teologia da Libertação (Giraldo, 2019, p. 129). Essa bandeira foi, no início dos anos 2000, assumida também pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e por uma ampla coalizão internacional camponesa e indígena, a Via Campesina, ganhando ainda maior visibilidade e, cada vez mais, as feições de um grande movimento continental de reação ao agronegócio, esse projeto neoliberal e conservador estratégico surgido pari passu com as ditaduras militares que assolaram a América Latina nos anos 60 e 70 do século XX (Pompeia, 2021; Giraldo, 2019). No Sul da Bahia, região a partir da qual surge este livro, não é diferente. Além do MST e de outros movimentos camponeses de luta pela reforma agrária popular, os povos indígenas, além das comunidades de pescadores e quilombolas, têm assumido a bandeira da agroecologia, entendendo esse termo tanto como chave para a união das lutas dos diversos povos, como para a reivindicação de políticas públicas perante o Estado. Essa união ficou evidente no bojo das Jornadas de Agroecologia da Bahia, realizadas desde 2012, e na criação da Teia dos Povos (teiadospovos.org), coalizão que reúne movimentos sociais e comunidades indígenas, negras, camponesas e extrativistas em luta de toda a Bahia – um modelo agora reproduzido também em outros estados (Pimentel, 2023). A presente obra é fruto de uma construção coletiva que entrelaça a universidade e movimentos sociais territorializados que vêm refletindo sobre projetos educativos libertários. Os saberes tradicionais são um ponto de partida e de encontro para analisar os desafios e as potencialidades da transição agroecológica nos currículos escolares. Mais do que um registro acadêmico, este livro busca incentivar e apoiar a formação de uma geração de educadores comprometida com a terra, com seu território e com o mundo.
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