Sobre Abalo

Abalos são plenos de energia. Podem ser sísmicos, fruto de movimentos potentes e atordoadores, mas também podem resultar de duras cismas. Abalos são o motivo gerador ou o reflexo do trauma. Geralmente têm um motivo imponderável, que se impõe sem mesuras, nascido das profundezas. E doem. Obrigam-nos a refletir. Convidam a uma parada em nossos passeios por jardins, por tempos e timelines de redes sociais. Assim fizeram os artistas reunidos no Grupo de Pesquisa Articulações Poéticas, criadores da intervenção Abalo: Allan Cardoso, Anete George, Andreza Guerner, Cyntia Werner, Duda Desrosiers, Fabio Luis, Flavia Rossinky, Gislaine Pagotto, Jade Sapucahy, Karina Segantini, Marta Martins, Paula Souza Campos, Rosana Bortolin, Sandra Alves, Sandra Fávero e Silvana Macêdo. Puseram em movimento a superfície do corte, os discursos que orquestraram o golpe de 2016, lançando ao público que circulou nos jardins do Palácio Cruz e Sousa o desafio de criar com eles escritas abertas que possibilitam novos entendimentos dos abalos dos quais não podemos nos furtar. Com isso, trouxeram também uma leitura arejada e contemporânea de uma faceta pouco explorada da poesia de Cruz e Sousa.

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