Sobre As Crianças na Congada no Reinado no Congado

É sempre em ritmo de poesia, de encanto, mistérios dos tempos pretéritos que me encontro com as palavras escritas ou ditas por Jeremias Brasileiro Brasileiro de todas as formas, de todas as almas que trabalham dia a dia para não deixar a história esquecida.Pela grande kalunga Jeremias veio, pela grande kalunga Jeremias volta. Veio trazendo conhecimento, saberes africanos silenciados, camufados, escondidos em meio a opressão vivida pelo seu povo Volta levando para outras partes da terra os tambores ecoando esses saberes, a postura de quemcurou a ferida,mas não esqueceu nem suas causas e nem o propósito de viver diante dela. O reinado do Congo no Brasil, nas Gerais ou em outro lugar, é a prova de um protagonismo de negras e negros do período colonial aos dias de hoje A prova de que as matrizes culturais africanas se deslocam, se reformulam e por meio das ações locais se consolidam nas práticas do cotidiano como forma ancestral de memória. Uma autêntica tradição viva. Uma conexão oral, musical, corporal, lúdica, coletiva, espiritual das travessias da Kalunga, desde o mar à linha entre os vivos e os mortos, à espiral que aproxima os mais novos dos mais velhos por esse sentido intocável do saber.Muitas conversas, muitas trocas de olhares, um bocado de anos e cada dia mais admiração por esse General de Congo: Jeremias como sucessor de Tio Cândido noreinado do Congo de Uberlândia (MG); Jeremias como escritor; Jeremias como doutor, poeta, trabalhador É esse Jeremias que agora está preocupado com uma escrita paraas crianças. É verdade, como ele mesmo afirma, as crianças estão por toda parte no Reinado, no Congado ou na Congada São erês que fazem a alegria da festa, são a continuidade, são também as rupturas e ressignificações. São por elas e com elas que a tradição vive.Mas escrever para elas é um desafio, escrever sobre as crianças negras do Congado, para essasmesmas crianças e para outrasmais, que poderão conhecer essa outra criança quetoca tambor, é sobretudouma recompensa É garantir a circularidade entre o conhecimento escrito e oral; é criar a possibilidade de fazer ecoar em outros locais os saberes africanos que nos são tão caros. Espero que familiares,mães, pais, avós, tios, tias, irmãs, irmãos, sobrinhas, primos e primas possam ler esse livro e encantar crianças de muitos outros lugares.Larissa Gabarra é doutora em História Social da Cultura pela PUC-Rio, Mestre em História pela Universidade Federal de Uberlândia

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