Sobre Quando os muros ruíram Duas Irmãs de Maria descobrem a liberdade do Evangelho

A experiência que as autoras, Riitta e Marianne, narram é radical. De nacionalidade finlandesa, elas ingressaram quando ainda eram muito jovens em uma instituição de diaconisas denominada de Irmandade Evangélica de Maria, na cidade de Darmstadt, na Alemanha — instituição que existe em muitos países, também no Brasil. Fundada pela Madre Basilea Schlink em 1947, a Irmandade tem por fundamentos o arrependimento, o amor a Jesus, a reconciliação, o viver pela fé e a evangelização. A intenção das autoras era a de dedicar suas vidas, por inteiro, a Jesus e ao serviço a Deus a ao próximo. Queriam seguir o exemplo de Maria, mãe de Jesus, mas dentro das rigorosas normas propostas pela fundadora, Madre Basilea. Normalmente pensamos que, estando em uma instituição diaconal, não há como a pessoa não estar fazendo algo totalmente certo. Ela ouve e lê a Palavra de Deus diariamente. Dedica muitas horas de sua vida a orações e preces. E todo trabalho é dedicado em benefício de outros, em frentes de serviço social em hospitais, escolas, orfanatos, jardins de infância, etc. Existiria vida mais “cristã”, livre e desprendida do que essa? No entanto, as autoras mostram no transcorrer do livro algo incrível e inesperado. Justamente dentro dessa Irmandade, com todo seu sistema de normas e regras sobre como uma Irmã de Maria deve conduzir a sua vida, surgiram imperceptivelmente formas de escravidão e opressão com as quais as duas não contavam. Descobriram aos poucos que, conduzindo a sua vida da forma mais “sacra” possível, dentro das regras rígidas da Irmandade de Maria, se tornaram escravas de um sistema profundamente legalista que as oprimia. As experiências que tinham seguindo normas da Irmandade e suas percepções sobre o que é a vida cristã a partir de suas leituras da Bíblia entraram em profundo conflito. O Evangelho bíblico criou nelas um senso de inconformidade com o sistema de normas da Irmandade. Surgiu nelas um profundo clamor por liberdade. E no transcorrer do livro elas narram como foram suas terríveis lutas interiores e seus embates com o “sistema”, tentando mudá-lo. Por fim, elas testemunham como conseguiram se libertar do “sistema”, fazendo com que os muros que as aprisionavam ruíssem — metáfora que inspirou o título do livro. Uma leitura fascinante e imperdível, não somente para pessoas ligadas direta ou indiretamente à Irmandade Evangélica de Maria, ou a qualquer tipo de vida devota a Deus, mas para todas as pessoas.

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