Sobre Violência de gênero e grupos vulneráveis

De um modo geral, a pandemia da COVID-19 impôs atrasos e “avanços forçosos” em praticamente todos os países do mundo, afetando ricos e pobres, embora em níveis diversos. Na sociedade brasileira muitos foram os desafios enfrentados, especialmente pelos representantes dos poderes da república, que tiveram que administrar os efeitos da crise mundial, inesperada e inoportuna. Se “dentro da normalidade” a violência de gênero e de grupos vulneráveis já sofria com a situação, durante a crise percebeu-se virtuoso acréscimo do número de casos de violência doméstica e do índice de desigualdade social, potencializando os efeitos negativos da assimetria dos grupos vulneráveis. Aproveitando o princípio da oportunidade, convidamos especialistas de diversas áreas do conhecimento técnico-profissional para que, dentro de suas áreas de atuação, apresentassem visões e experiências sobre as peculiaridades da violência de gênero e de outros grupos vulneráveis e, dessa forma, colaborar com o debate que busca, em última análise, erradicar – ou ao menos abrandar – a violência de referidos. Não foi surpresa a quantidade e a qualidade de textos com enfoque na violência doméstica e familiar contra as mulheres, tema abordado na maioria dos capítulos, mas com perspectivas diversas, inclusive com estudo de caso internacional. Em relação à violência de outros grupos vulneráveis, o tema não é de somenos importância, afinal, ao lado dos grupos reconhecidamente vulneráveis (crianças, idosos, indígenas, LGBTQIA+, afrodescendentes), novos grupos surgem a partir das necessidades e fragilidades das pessoas perante o mundo contemporâneo, a exemplo da situação dos refugiados, moradores de rua, imigrantes, consumidores, dentre outros. Percebemos, portanto, que há enorme caminho a ser percorrido com o conhecimento das peculiaridades de cada grupo vulnerável e aprimoramento das medidas de proteção, capaz de contribuir para a efetiva diminuição da violência sofrida

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