
Ficha del libro
ESCUTAS LITERÁRIAS, MANEJOS PSICANALÍTICOS: narrativas tingidas pelas subjetividades
Sobre ESCUTAS LITERÁRIAS, MANEJOS PSICANALÍTICOS: narrativas tingidas pelas subjetividades
Desde a aurora dos tempos, a criança dardeja seu desejo na imagem (des)amparadora do objeto materno, inscrevendo-o sobre a ambiguidade dilaceradora do laço edípico. Com o desenvolvimento sexual, longe de abandonar a tessitura materna, as moções eróticas que assentaram a própria subjetividade do sujeito continuam a murmurar sua cantiga devota e primordial. Assim, a dialética do incesto insiste em prorromper os véus ululantes de nossas fantasias, inscrevendo-se, por vezes, nas tramas do real. Nestas urdiduras voluptuosas, nas quais a carne tensiona e fremeia ante o prazer insubordinado de Édipo, perquire-se, logo no primeiro capítulo, o complexo de Édipo, conceito em que a psicanálise se assenta: Do (re)encontro agônico à errância maldita: a desventura edípica em A Tragédia da Rua das Flores¸ de Eça de Queiroz. Na trama, acompanha-se as predileções amorosas de Vitor, jovem sedutor, que, retido pelas errâncias voluptuosas de Eros, cai nas graças jocastianas de Genovava, sua própria mãe, outrora, desconhecida. Invariavelmente, no constructo narrativo do autor português, esbarramo-nos com a jornada claudicante de Édipo, vítima atroz de seus desejos inconscientes.
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