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Ficha del libro

Escala e geografia: politização da escala geográfica e luta no movimento dos sem-teto

Sobre Escala e geografia: politização da escala geográfica e luta no movimento dos sem-teto

(...)A despeito da importância da escala para a geografia, ela tem sido até recentemente, marginalizada e mesmo desconsiderada pelos geógrafos e, na melhor das hipóteses, considerada como algo implícito na análise geográfica. Em relação à Europa e aos Estados Unidos, apareceram alguns poucos geógrafos que, a partir do final do século 20, passaram a considerar a escala como importante elemento na pesquisa geográfica. Em relação ao Brasil, mencionem-se Iná Elias de Castro, Cláudio Egler, Marcelo Lopes de Souza e o próprio autor deste prefácio. Mas a contribuição de Matheus Grandi à temática em tela não apenas incorpora estas contribuições, como vai muito além delas, incorporando ainda autores estrangeiros. A longa e rica revisão bibliográfica que o autor realiza, resgatando outras interpretações a respeito da escala, é sua primeira grande contribuição, por si só digna de nota, pois sistematiza o conhecimento sobre esta importante temática e também o amplia. Os movimentos sociais urbanos e o ativismo político que se verificam no âmbito do espaço urbano, criando espaços insurgentes habitados por uma população explorada e pauperizada, são temas que têm atraído a atenção dos geógrafos a partir da década de 1970, sob a influência de Manuel Castells. Mas no Brasil, este interesse não tem sido tão amplo entre os geógrafos como tem sido entre antropólogos e sociólogos, inspirados em Carlos Nelson Ferreira dos Santos. Os geógrafos brasileiros, de modo preponderante, não se deram conta de como os inúmeros movimentos de contestação social envolvem o espaço urbano, sobretudo nas grandes metrópoles como Rio de Janeiro e São Paulo. Os movimentos sociais, enfatize-se, estão inseridos em um dado espaço urbano, fazendo parte de sua organização espacial, sendo, portanto, um reflexo, um meio e uma condição social. Mais do que isto, exibem uma espacialidade, caracterizada pela localização, escala, arranjo espacial e suas interações espaciais. Exibem ainda uma temporalidade, isto é, são criados, se expandem e se transformam. E, mais ainda, estão expressos na paisagem urbana, por meio de áreas centralmente localizadas ou periféricas, caracterizadas por cortiços, favelas, autoconstruções e conjuntos habitacionais via de regra degradados. As ocupações fazem parte deste complexo contexto, assim como os confrontos envolvendo moradores e forças de segurança. Os movimentos sociais urbanos constituem parte fundamental da visão que considera o espaço urbano como um campo de lutas, além de ser simultaneamente um campo econômico, político e simbólico. Portanto, os movimentos sociais deviam ter merecido maior atenção por parte dos geógrafos.(...)

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