
Sobre Física, Música e Educação Sonora
O presente material de apoio foi desenvolvido com o intuito de ofertar aos alunos da disciplina optativa “Física, Música e Educação Sonora”, código 05499, do Curso de Licenciatura em Física da Universidade Federal Rural de Pernambuco, um conjunto de atividades experimentais a serem desenvolvidas ao longo da disciplina, que convidam à reflexão em torno das relações entre ciência, cultura e os estudos de paisagens sonoras. Nasce, portanto, como um aporte teóricoreflexivo que convida à análise do som enquanto fenômeno e cujo entendimento mais completo só pode se dar a partir do diálogo entre física e neurofisiologia, bases teóricas da psicoacústica, ciência que busca entender as relações entre o estímulo físico (onda de pressão) e a resposta neurofisiológica (som enquanto sensação). Além disso, avançamos em direção à reflexão em torno da interpretação cultural da experiência auditiva e do conceito de consciência sonora, a parti r do diálogo entre os conceitos de consciência em Freir e (2014) (Edmund Husserl) e em Raymond Schafer (2012) (as funções da escuta de Pierre Schaeffer), de onde nascem os conceitos de objeto sonoro, evento sonoro e paisagem sonora, em busca do desenvolvimento de consciências ecológicas sonoras, nos moldes da ecologia profunda de Fritjof Capra, valorizando a relação entre música e meio ambiente a partir das contribuições de Marisa Fonterrada. Não pretendemos esgotar cada uma das interfaces, mas propor aos estudantes um aporte que lhes permita entrar futuramente numa sala de aula, quando formados, e terem condições de avançar para além dos tradicionais conteúdos de acústica dos livros didáticos. Portanto, não se trata de uma disciplina da física acústica, mas de uma disciplina da formação do professor, rica de relações CTSA, valorizando as experiências sonoras dos estudantes, a análise das paisagens sonoras, a escuta pensante por meio da sensibilização da audição, compreendendo as dimensões científica e cultura l da escuta. O que se busca é o olhar para trás, enquanto seres conscientes que buscam entender os problemas do ruído ambiental e pensar formas de melhorar a qualidade das paisagens sonoras, consistindo numa boa aventurança para as futuras gerações. É nesta perspectiva que a educação ambiental sonora dialoga c estudos de paisagens om os sonoras no desenvolvimento de atividades didáticas voltadas à prática da escuta pensante, em direção à construção de níveis de consciência auditiva, para que as pessoas sejam capazes de decidirem sobre quais sons desejam estimula r e quais desejam retirar de suas paisagens sonoras, atuando conscientemente no embelezamento do mundo.
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