
Ficha del libro
Casos Clínicos em psiquiatria, psicanálise e saúde mental
Sobre Casos Clínicos em psiquiatria, psicanálise e saúde mental
Texto de contracapa: breve descrição do livro/ assunto Este livro é um convite ao leitor a inclinar-se ao leito. Há aí o sentido de um retorno ao ensinamento de Hipócrates, quando este lança as bases para um método clínico exercido à beira do leito (klinós), ao afirmar que o lugar do médico é ao lado do doente e afastar-se de uma medicina teocrática baseada em explicações irracionais. Mas não se trata apenas de um retorno – o que não seria pouco, tendo-se em vista os rumos da Medicina atual –, vai além disso: há também um convite à reflexão sobre o problema epistemológico que acompanha o exercício da Psiquiatria ao se passar do caso singular à categoria nosológica e ao se verificar, em cada caso, o impossível de generalizar, o mais singular que faz de cada caso, um caso único. Movimento de ida e volta em que não se procura preencher a falha que se encontra aí com um saber que se pretenderia totalizante. Quase todos os trabalhos foram extraídos das sessões clínicas semanais que acontecem na Residência de Psiquiatria do Instituto Raul Soares, momento privilegiado em que residentes e preceptores podem se permitir aprender com cada caso e que possibilita recolher a invenção singular que cada paciente pode fazer para si. Estamira, no documentário que leva o seu nome, afirma, em alto e bom som: “Vocês não aprendem na escola, vocês copiam. Vocês aprendem é com as ocorrências”. Ponto fundamental para a clínica psiquiátrica que nos convida a passar de um saber apriorístico para a construção do caso clínico, feita a posteriori. Há, nesse movimento, uma solidão. Mesmo com as equipes, com as instituições, com as parcerias entre residentes e preceptores, há uma solidão que diz respeito àquele que se encontra diante do louco e pode haver aí a fagulha de um desejo de saber que vá além do saber simplista dos manuais classificatórios em suas coleções de sintomas. Em se tratando de matéria, este livro nos apresenta rigor epistêmico, fluidez clínica, um objeto nada sólido e a solidão de cada um. Solidão que nos abre outra perspectiva, como a lançada por Gabriel García Márquez em seu discurso para o Prêmio Nobel, ao falar sobre a solidão da América Latina. Afirma que nosso continente não quer nem tem por que ser um peão sem rumo ou decisão em que seus desígnios de independência e originalidade venham a se converter em uma aspiração ocidental. Há algo dessa ousadia neste livro e em nossa prática na Residência de Psiquiatria do IRS. Ao buscar contemplar a interface com múltiplos saberes, de vários campos epistêmicos, sem no entanto, querer dizer tudo sobre o humano em seu sofrimento psíquico, não se converteu e não se converterá (é uma aposta) em uma uma psiquiatria reduzida a manuais classificatórios. O desejo de resgate da clínica e de avanço em relação às teorias que a sustentam nos apontam outro horizonte. Eis aí um convite à leitura, à litura, ao leito. Luís Couto – out. 2021
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