
Ficha del libro
Movimento república de Emaús e cenários decoloniais: Outras perspectivas para a formação docente
Sobre Movimento república de Emaús e cenários decoloniais: Outras perspectivas para a formação docente
Muito anterior a qualquer tentativa de sistematização ou teorização, a decolonialidade já se constituía como atitude, seja de enfrentamento, resistência, sobrevivência ou de libertação. Processualmente, em geral, muitas das teorias crítico-transformadoras – e voltando-me para a área da Educação – as pedagogias, como a Pedagogia do Oprimido, bebem ou beberam dessa “fonte” decolonial. Entendam-me. Não se trata de anacronismo de minha parte, mas simplesmente de um exercício de “olhar para trás”, em vista de compreender melhor o tempo presente e a constituição das práxis decoloniais. A partir desse olhar genealógico, podemos, por exemplo, afirmar que a educação popular é uma matriz do giro decolonial, assim como a pedagogia da libertação (Mota Neto, 2015; Abreu, Dias, 2022). E assim, ao longo da história, a decolonialidade, que era originalmente uma força orgânica de luta, vai se constituindo em práxis decolonial, ou seja, como toda correlação de atos concretos e referências (inclusive teóricas) de modos de agir, intencionadas para a transformação do mundo moderno-colonial em um mundo transmoderno, sendo este último, projeto e fim desta práxis (Dias, 2023). O tempo continua a passar, e nele, as pessoas e coletividades lutadoras foram fazendo história e produzindo os condicionantes a partir dos quais estamos a viver a fase denominada por Dussel (2020) de a descolonização epistemológica do mundo acadêmico e intelectual, que nos possibilita a enunciação da diversa alteridade negada pelo paradigma moderno-colonial e o rompimento com tudo aquilo que “desgentifica” a humanidade e a transformação do mundo em um mundo de eticidade pluriversal, fundamentalmente humano e humanista. Marcos desse processo podem ser notados como a Pedagogia Griô – que surge na Chapada Diamantina e passa a ser sistematizada a partir de 1995 (Pacheco, 2006) – ante a situação de negação material de crianças, que eram as principais vítimas do descaso político-social local. Dado que é anterior à instituição da Rede Modernidade/Colonialidade (1998), que também situo como mais um desses marcos, talvez, atualmente, o mais importante, exatamente porque impulsiona o giro decolonial e trabalhos como os que agora estou a prefaciar: “Movimento República de Emaús e cenários decoloniais: Outras perspectivas para a formação docente, organizado por Isabel Cristina França dos Santos, Elizabeth Gomes Souza e Welton Diego Carmin Lavareda. Voltando-me ao que tenho em mãos, a responsabilidade cobra a conta porque não posso deixar de mencionar que mesmo a universidade – como instituição ligada ao paradigma moderno-colonial – tem suas frentes de luta e resistência, isto é, tem suas expressões decoloniais, que se materializam em pessoas como Elizabeth Gomes Souza, Isabel Cristina França dos Santos e Welton Diego Carmin Lavareda, bem como em todas as outras que se constituem autoras desses ricos textos de experiências decoloniais.
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