
Ficha del libro
ENQUANTO HOUVER VOZES, HAVERÁ LUTAS: DIREITOS HUMANOS, JUSTIÇA E RESISTÊNCIA ÀS VIOLÊNCIAS VISÍVEIS E INVISÍVEIS DA ERA DIGITAL
Sobre ENQUANTO HOUVER VOZES, HAVERÁ LUTAS: DIREITOS HUMANOS, JUSTIÇA E RESISTÊNCIA ÀS VIOLÊNCIAS VISÍVEIS E INVISÍVEIS DA ERA DIGITAL
ENQUANTO HOUVER VOZES, HAVERÁ LUTAS: DIREITOS HUMANOS, JUSTIÇA E RESISTÊNCIA ÀS VIOLÊNCIAS VISÍVEIS E INVISÍVEIS DA ERA DIGITAL A era digital, longe de constituir um espaço neutro ou puramente instrumental, consolidou-se como o novo arranjo estrutural das relações políticas, sociais e jurídicas contemporâneas. Se, por um lado, as inovações tecnológicas, através das TICs (Tecnologias de Informação e Comunicações), e a expansão da sociedade em rede prometem a ampliação dos canais de diálogo e a otimização procedimental das instituições, por outro, trazem à tona velhos espectros de opressão devidamente repaginados pelas engrenagens algorítmicas. Esta coletânea que agora se apresenta ao leitor assume a fundamental e urgente tarefa de mapear essas violências visíveis e invisíveis, fornecendo um diagnóstico interdisciplinar imprescindível para pensar a sobrevivência dos Direitos Humanos, da cidadania e da resistência no século XXI. Como docente e pesquisador debruçado sobre as dinâmicas das políticas públicas e da formação humana, compreendo que o advento da tecnologia impõe uma profunda redefinição do papel do Estado. As políticas públicas na sociedade digital não podem mais ser pensadas de forma estática ou meramente analógica. A ausência de marcos regulatórios eficazes e de políticas públicas voltadas à inclusão, à literacia digital e à proteção dos grupos vulneráveis resulta na produção sistemática do que os autores desta obra precisamente identificam como cidadania mutilada, silenciamento e exclusão ontológica. O livro está estruturado em eixos temáticos que dialogam entre si por meio de uma fina costura teórica, na qual autores de referência — como René Girard, Achille Mbembe, Michel Foucault e Pierre Bourdieu — são convocados para iluminar a realidade brasileira. Na primeira parte deste livro, a reação patriarcal contemporânea é analisada sob a ótica das comunidades virtuais da manosfera e do movimento "Red Pill". Os capítulos evidenciam como a "crise da masculinidade" é instrumentalizada em redes como TikTok, Instagram e fóruns anônimos para reconfigurar a dominação de gênero, gerando um preocupante avanço nos índices de violência contra a mulher. A análise migra, com igual rigor, para a chamada parentalidade digital e o fenômeno do sharenting, tomando como ponto de partida o célebre caso do criador de conteúdo Felca. Sob a luz da teoria sacrificial de René Girard e da biopolítica da infância, desvela-se como a hiperexposição e a monetização de menores de idade transformam a imagem infantil em mercadoria de engajamento, convertendo a criança em uma espécie de vítima sacrificial contemporânea da espetacularização digital. A tecnologia de inteligência artificial generativa e a disseminação de deepfakes também são alvo de profunda investigação. Demonstra-se como a capacidade técnica de fabricar identidades sintéticas ataca a .
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