Sobre O regresso do Diabo: a Literatura invoca o Mal, exalta seus agentes e pactua com a morte

Essa pesquisa propõe analisar a figura da femme fatale na literatura, e se esse arquétipo de personagem é associado ao mal por possuir características genuinamente perversas ou se ele é um fruto de expectativas e receios impostos à figura feminina. Através de um estudo cuidadoso dessa figura, realizado através de uma abordagem exploratória e descritiva, levantamos a questão de a figura da femme fatale ser um arquétipo que traz empoderamento para as mulheres ou se é um reflexo da misoginia que também se encontra nas artes, especificamente nesse caso na literatura. Como objetos de estudo para essa pesquisa, foram escolhidas as personagens Becky Sharp, do romance A feira das vaidades (Vanity Fair, de William Makepeace Thackeray, 1848), Nicola Six, da obra Campos de Londres (London Fields, de Martin Amis, 1989) e Amy Dunne, de Garota Exemplar (Gone Girl, de Gillian Flynn, 2012), levando a ótica da pesquisa para os séculos XIX, XX e finalmente XXI, trazendo um parâmetro de como a figura da femme fatale, e da mulher em geral, sofreu mudanças através desses séculos. Aliado a uma pesquisa bibliográfica que analisou publicações de pesquisa sobre a figura em questão, atribuímos a controvérsia da figura da femme fatale a uma mistura de desprezo e medo característicos da misoginia que a figura patriarcal sente pela mulher. Muitas dessas personagens nasceram de um medo genuíno do poder feminino, e os estragos que este poderia causar caso fosse canalizado contra a figura patriarcal. No que diz respeito à aceitação dessa figura, a questão se divide entre a parcela que a condena como um estereótipo machista ultrapassado e a que reclama a femme fatale como um ideal de empoderamento contra o patriarcado.

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