
Ficha del libro
Aprendendo a viver com o outro, sem aniquilá-lo: peregrinações psicanalíticas pelos arâmios literários da Amizade
Sobre Aprendendo a viver com o outro, sem aniquilá-lo: peregrinações psicanalíticas pelos arâmios literários da Amizade
Este trabalho tem o objetivo de analisar, a partir do teor anímico representado no conto O amigo dedicado, escrito por Oscar Wilde (1894-1900), as imagens e os símbolos que encapsulam, toxicamente, os protagonistas; deixando, às escâncaras, os efeitos danosos de uma implicação vincular sem reservas, nem limites. Para tanto, invocamos a teoria psicanalítica, mediante as suas engrenagens metodológicas responsivas, com vistas a uma ancoragem teórica que nos possibilite uma leitura não-aveludada das idiossincrasias que tingem o revolto mar das amizades. Assim, numa conexão entre a episteme (pós)freudiana e a literatura, pretendemos investigar, na narrativa em foco, o funcionamento dos conceitos de ganhos primários e secundários, cunhados pelo mestre vienense, explicitando-os frente aos colapsos subjetivos que, no texto oscadiano, acometem os sóbrios personagens. Em rápida elucidação, as forças primárias voltam-se às satisfações libidinais e as monções secundárias associam-se às questões narcísicas, num corolário onde ambas se retroalimentam, conduzindo o sujeito à busca desenfreada pelo prazer, seja de que modo for. Este é o caso de Hans, persona fictícia da obra supracitada, marcada virulentamente pelo altruísmo, que se doa à exaustão, esvaziando-se (até a morte) pelo “amigo”, o qual, cônscio da dimensão masoquista do inocente companheiro, abusa-o com a finalidade crua de obter vantagens e, com isso, ”preencher-se” literalmente. Nessa dinâmica, o dedicado amigo, ao ofertar-se em sua totalidade, movido por um gozo letárgico, desnuda sua ”faltosidade” incômoda, inutilmente, “obscurecida” pela busca de algo ausente, pela espera de um outro esquecido, pela expectativa de conseguir ”alguma coisa” realizada por seu adjuvante/adversário. Tal conjectura pulsional sustenta, inconscientemente, o ciclo dos ‘ganhos’, onde o Eu, em súplicas inconscientes ao Outro, almeja a presença e proteção.
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