Sobre Anjos em flerte, amantes em pecado: sussurros poéticos sobre o amor e suas dores

Andarilhando com seus passos de gatuna, liza apressava-se em preparar os seus adornos do mês. Atravessara a última semana com o afinco de uma condenada e, logo, seu afetuoso marido a encontraria morta no cadafalso de seu porão. Eliza havia comprado seus preparativos naquela mesma manhã, atenta aos mais inóspitos detalhes. Observava as voltas secretas de um novo vestido niveloso, algo que estonteasse os olhos de Otávio e os enebriassem com a descoberta de um segredo terrível. “Tem que me cobrir por inteira”, brincava com as atentas vendedoras, enquanto devorava as rendas e as costuras com suas mãos de agulha, “As anáguas deverão beijar a ponta de meus pés, sem que me pareça uma criança mimada ou uma noiva culpada”. Após os devidos cuidados, quando enfim seus olhos descansaram e se satisfizeram com o figurino mordaz de sua imagem, Eliza marcara a entrega dos ajustes para o final daquela tarde. Suas amigas da loja, cônscias dos absurdos de suas excentricidades, certificaram-na que a peça estaria esperando-a no horário marcado.

Temas y géneros

Literatura brasileiracontospoesiaLiteratura

Guárdalo, registra tu progreso y compártelo con otros lectores.

La actividad de la comunidad aparecerá aquí cuando exista suficiente señal para que sea útil.