Sobre BASES DA TÉCNICA CIRÚRGICA

A cirurgia é o ramo da Medicina que se propõe curar pelas mãos. Do grego: kheirourgia (kheiros, mão e ergon, obra). O termo cheirourgos é encontrado em autores gregos clássicos designando não só o médico que tratava doenças com as mãos, como também artesãos ou tocadores de cítara. Esse termo vem sendo modificado através dos tempos: cirurgien, surgien em francês arcaico e daí surgeon em inglês. Cirurgia é ciência e arte. Como ciência, tem renovação dinâmica e constante de preceitos e conceitos em função da sua própria evolução. Como arte, exige um aprendizado manual paciente e bem conduzido. Em épocas passadas a cirurgia era considerada o último recurso aplicável a doentes para os quais não havia mais remédios que lhe restabelecessem a normalidade. Com a evolução dos conhecimentos, a cirurgia passou a ter lugar no tratamento de muitas doenças. No entanto, as bases da cirurgia em si continuam as mesmas. Ontem ou hoje, qualquer intervenção manual ou instrumental no corpo decorre das três etapas fundamentais: a diérese, divisão dos tecidos para o acesso à região a ser operada, a hemostasia, parada do sangramento, e a síntese, fechamento dos tecidos. O grande salto evolutivo ocorreu nos materiais, sobretudo o bisturi, que passou das simples lâminas a frio aos modernos instrumentos elétricos, a laser, a ultrassom, computadorizados e ao bisturi ultrassônico. As suturas, ou pontos cirúrgicos, também tiveram muitos avanços. Na história, há referências ao uso de barbantes, tendões de animais e até crina de cavalo para compor o fechamento das cirurgias. Hoje, no entanto, além dos variados tipos de fios, colas e fitas, por exemplo, são utilizados para a sutura. Se o instrumental cirúrgico mudou, mais radical ainda foi a evolução na linha do tempo das cirurgias. Da segunda metade do século XX ao início do século XXI inúmeros progressos tecnológicos proporcionaram o emprego de novos avanços. Citamos a cirurgia dos transplantes de órgãos, a microcirurgia, o emprego de próteses e endopróteses, a cirurgia videoendoscópica e as técnicas de imagem congregando a radiologia invasiva. Os transplantes de órgãos estabeleceram gigantesco avanço técnico e contribuíram decisivamente para o aprimoramento de todas as etapas envolvidas no ato cirúrgico. John Merrill e Joseph Murray realizaram o primeiro transplante renal com sucesso em 1954. Thomas Starzl, em 1963, foi o responsável pelo primeiro transplante de fígado e Christian Barnard pelo primeiro transplante cardíaco, em 1967, na África do Sul. Todo este avanço em novas técnicas deve ser salientado, se deveu ao crescimento das estruturas hospitalares, ao apuramento técnico dos médicos e seus colaboradores e ao aperfeiçoamento do conjunto de cuidados pré-operatórios e pós-operatórios pelas equipes da área da saúde.

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