
Sobre ELETIVO II – CLÍNICA CIRÚRGICA
A Cirurgia, desde sua concepção original como Ciência, é encarada como a parte do conhecimento médico que se dedica ao tratamento das doenças através das habilidades manuais. Basta avaliar a própria origem da palavra: do grego kheirourgia (kheiros, mão e ergon, obra). Entretanto, os valiosos avanços da Cirurgia no último século, bem como o entendimento do paciente cirúrgico de maneira integral, levando em consideração os aspectos fisiopatológicos e metabólicos, e não apenas os conceitos anatômicos, revolucionaram a abordagem dos pacientes portadores de doenças cirúrgicas. Classicamente, a formação médica voltada para o conhecimento cirúrgico teve o foco nos conceitos anatômicos e nas técnicas cirúrgicas para o tratamento das doenças. Diérese por planos, dissecção cuidadosas dos tecidos, hemostasia adequada para prevenção das hemorragias intraoperatórias, ressecção das lesões e síntese por planos sempre foram aspectos considerados mais importantes do que a condução clínica pré e pós-operatória, como o diagnóstico e tratamento dos distúrbios clínicos e das complicações cirúrgicas que possam surgir no percurso. Entretanto, isso não quer dizer que avanços significativos também não tenham ocorrido nos conceitos cirúrgicos básicos: da segunda metade do século XX ao início do século XXI, inúmeros progressos tecnológicos proporcionaram o emprego de novos progressos técnicos. Citamos a cirurgia dos transplantes de órgãos, a microcirurgia, o emprego de próteses e endopróteses, a cirurgia videoendoscópicas e as técnicas de imagem congregando a radiologia invasiva. Conceitos como tempo de jejum necessário para o início de um procedimento cirúrgico, tempo adequado para o início da dieta no pós-operatório, manejo de pacientes em uso de medicações anticoagulantes, bem como daqueles que são portadores de doenças crônicas e que necessitam passar por procedimento cirúrgicos, utilização de antibióticos para prevenção de infeccções no sítio cirúrgico, utilização criteriosa de sondas e drenos, abordagem adequada (e muitas vezes conservadoras) de traumas orgânicos e multissistêmicos, condução de pacientes transplantados, dentre vários outros exemplos são temas que passaram por profundas transformações nas últimas décadas e são exemplos clássicos de como as evidências científicas, conduzidas através de estudos com impacto estatístico, quebram paradigmas e mudam radicalmente a maneira de oferecer diagnóstico, tratamento e condutas perioperatórias mais adequadas.
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