
Ficha del libro
Cartografias diacrônicas: tempo, espaço e assimetrias na circulação dos impressos
Sobre Cartografias diacrônicas: tempo, espaço e assimetrias na circulação dos impressos
"Desde Marx, passando por Pierre Bourdieu e Roger Chartier se sentencia que os textos circulam sem os seus contextos. A historiografia dos livros e a sociologia dos textos apresentam variadas operações teóricas e metodológicas com o objetivo de recuperar as condições sociais (privilegiando aspectos políticos e/ou sociais, econômico, gênero e etc) que circunscrevem as ideias impressas. Em A República Mundial das Letras, Pascale Casanova propõe uma nova hermenêutica que consiste no ‘‘vaivém constante entre o mais próximo e o mais distante, entre o microscópico e macroscópico, entre o escritor e o vasto mundo literário’’, para explicar um texto em sua própria singularidade, literariedade e historicidade. O tempo - único produtor de valor literário, antiguidade, crédito, recursos e literariedade – fundamenta as desigualdades do espaço literário. Desse modo, só se pode fazer uma história dos impressos ao levar em conta a desigualdade dos atores no jogo literário e os mecanismos de dominação que neles se manifestam. Violência e constrangimento tácitos, no entanto, onipresentes que fazem mover as engrenagens do mundo literário precisam ser compreendidas de forma horizontalizada e verticalizada para fazer ver não somente as desigualdades entre dominadores e dominados, mas também os desiguais na desigualdade. Pensando nesse espaço internacional de relações, Gisele Sapiro e Johan Heilbron compreendem uma estrutura extremamente desigual na publicização dos livros. A partir de seus trabalhos estatísticos, observa-se a divisão por grupos linguísticos. Por um lado, notamos a centralidade dos países colonizadores do hemisfério norte nessa lista - Estados Unidos, Alemanha, França entre outros - levando a refletir como as instâncias consagradoras importaram/importam, compreenderam/compreendem, representaram/representam e classificaram/classificam as regiões periféricas. Por outro lado, devemos indagar: não há desigualdade entre as regiões periféricas? Como compreender tais assimetrias? Foi seguindo esta dúvida que pensamos em reunir discussões que nos ajudem a responder a questão apresentada ou ao menos tomá-la como via de análise. Este projeto tem, portanto, por objetivo realizar uma cartografia diacrônica das circulação dos impressos, de modo a abordar seus aspectos temporais e geográficos, mediante a reunião das ricas abordagens e questões que revelem as assimetrias entre os textos, sejam eles livros, periódicos ou outros impresso. "
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