
Sobre escritas indisciplinadas
Escrever. Reescrever. Entre pausas, linhas e folhas. Tudo e nada. A licença poética. Os caracteres na página. O que se perdeu. O que é achado. O que será apagado. O que será publicado. As páginas sugerem vivências em direção à leitura silenciosa. O esquecimento está comprometido à medida que as palavras saem do fundo das gavetas, das notas secretas, do pensamento suspirado, do plano das ideias e pousam em fragmentos desalinhados, abertos ao mundo. Os gritos dos escritores são abafados por parágrafos à prova de som. E assim, a autoria é questionada: sob o pseudônimo encontram-se o eu lírico, o et cetera, as reticências. As narrativas ganham uma corporeidade tangível a uma letra de distância. Da sílaba à palavra, da palavra à frase, da frase a algo que se perde na linguagem. Performativo. Sujeito oculto exposto. O subtexto. O texto no texto do texto. Certezas suspensas à margem. O espaçamento parafraseado nas inúmeras leituras possíveis de uma escrita que se propõe indisciplinada.
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