
Ficha del libro
Exposição "Olhares da Resistência"
Sobre Exposição "Olhares da Resistência"
Este livro nasce do encontro entre literatura, arte e educação. Mais do que um registro de imagens, ele se apresenta como testemunho de um processo formativo que uniu duas professoras – de Língua Portuguesa e de Língua Inglesa – e a turma de estudantes da 3ªIV01 Esporte da EEEFM “Honório Fraga”. A partir da leitura de “Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada” (1960), de Carolina Maria de Jesus (1914-1977), os jovens foram convidados a enxergar as contradições do mundo que os cerca. Carolina, mulher negra e periférica, transformou em palavras as dores da exclusão, da fome e do racismo, mas também a força da resistência que atravessa gerações. Inspirados por sua escrita potente, os estudantes se lançaram ao desafio de produzir fotografias capazes de dialogar com essas temáticas, conectando o passado da autora às realidades ainda presentes em tantas periferias urbanas. As imagens aqui reunidas não vieram sozinhas: foram acompanhadas por títulos e legendas bilíngues, compostas com trechos cuidadosamente selecionados da obra. Literatura e fotografia se entrelaçam, criando um espaço poético-crítico que amplia as possibilidades de leitura do presente. A culminância desse percurso deu-se na escola, em uma exposição embalada por sambas que ecoavam e ampliavam as emoções inscritas nas imagens. O projeto foi orientado pela Teoria Sócio-Histórico-Cultural (Vygotsky, 2009), pela recusa da educação bancária (Freire, 2021) e pela aposta em metodologias ativas (Bacich; Tanzi Neto; Trevisani, 2015), que reconhecem os estudantes como protagonistas de seu processo de aprendizagem. Mais do que um exercício didático, tratou-se de uma experiência de formação para a transformação social. Cada página deste livro é, portanto, fruto de um trabalho que é também um ato de criação coletiva. Ao observar as fotografias e ler suas legendas, é possível perceber o grito de quem insiste em existir e resistir. Carolina Maria de Jesus ofereceu a lente; os estudantes, suas vozes e olhares. E, juntos, eles nos lembram de que a arte e a literatura podem ser instrumentos de denúncia, resistência e esperança. Que estas páginas provoquem sensibilidades, abram diálogos e nos convidem a reimaginar a escola e o mundo que queremos construir.
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