
Sobre Exserta
Tudo isso se dá por conta daquela velha história: essas coisas de amor a gente não escolhe. Apesar de que bem sei eu que te escolhi. Não é o que vem ao caso exatamente. Mas a flor no asfalto. A esperança disforme do modernismo brotando no peito endurecido. Um dia você foi rosa, lírio. Sei lá. Hoje você é aquela flor que não parece flor nem tem cor de flor. Mas é flor. E mora no meu asfalto. Isso tudo era para ser um romance, mas acho que você também levou um pouco disso contigo. Acontece que quando é para falar de amor, eu me lembro daquilo que rasga. Mas também lembro do riso frouxo. Na maior parte, do sentir mesmo. Mas o sentir com as vísceras de que falam alguns poetas. E é assim que mais uma vez, talvez pela última, essa história se transforma no que estou prestes a entregar ao leitor, que por alguma razão de um acaso absurdo encontrou esse livro na seção de promoção dos menos vendidos de uma livraria qualquer e pensou "bom... Tá só dez reais...". Se você é um lírio, uma rosa, uma tulipa ou aquela flor que a gente sabe que é flor mas não parece nem cheira, já não sei bem dizer. Às vezes te vejo como um alecrim dourado. Isso porque eu nunca vi o tal. Mas eu sei que, em meio à uma imensidão de possibilidades, ele nasceu lá no campo, aparentemente, do nada - já que ninguém semeou. Isso sempre me soou, desde pequena, como algo que parece raro, inusitado, precioso. Sabe? No fim de tudo, vou descobrir que você é algo mais para uma Petunia Exserta - e que eu não sou um beija-flor. Se um dia o acaso cuidar também disso, espero que saiba que é sobre você. Aos recomeços, meu coração, Suzana.
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