Sobre PROTOCOLO DE ENFRENTAMENTO AO CALOR EXTREMO

As mudanças climáticas representam um dos maiores desafios do século XXI, afetando a saúde humana. O aumento das temperaturas, eventos climáticos extremos, alterações nos padrões de precipitação e a elevação do nível do mar têm impactos diretos e indiretos na saúde pública. As cidades, com alta densidade populacional e atividades econômicas, estão especialmente vulneráveis, necessitando de sistemas de saúde resilientes e adaptativos. Os impactos diretos incluem o aumento de ondas de calor, que podem causar desidratação, exacerbação de doenças crônicas, insolação, e, em casos extremos, levar à morte. Indiretamente, mudanças nos padrões de precipitação e temperatura podem alterar a distribuição de vetores de doenças, como mosquitos, aumentando a incidência de doenças transmitidas por vetores, como dengue. A insegurança alimentar e hídrica, agravada pelas mudanças climáticas, pode levar à desnutrição e doenças relacionadas. Além disso, há danos à saúde mental e ao modo de vida de territórios, exacerbando vulnerabilidades existentes. Durante ondas de calor, a maioria das mortes é causada pelo agravamento de condições crônicas ou pelo aumento de doenças infecciosas. Manifestações clínicas como edema, erupção cutânea, dor de cabeça, irritabilidade, letargia e fraqueza são comuns e variam conforme a capacidade de adaptação ao calor extremo. A exposição prolongada ao calor pode causar desidratação, alterações no metabolismo, queimaduras, exaustão térmica e irritação ocular e nasal. Em casos mais extremos, pode levar ao golpe de calor (heatstroke), que está associado a elevada mortalidade. Os períodos de calor intenso afetam a população, especialmente grupos vulneráveis, como crianças, idosos, gestantes, pessoas com doenças crônicas, deficiências, transtornos mentais, trabalhadores ao ar livre, população em situação de rua, migrantes, refugiados e comunidades rurais e indígenas. Esses grupos são mais suscetíveis aos impactos e podem sobrecarregar os serviços de saúde devido ao aumento da demanda por atendimento. Identificar esses grupos e situações de maior risco permite recomendações específicas, medidas de proteção e planejamento de intervenções para mitigar danos à saúde. Com o aumento e a intensificação das ondas de calor, é crucial elaborar estratégias de enfrentamento para reduzir os efeitos adversos na saúde e assegurar o atendimento adequado diante dessas situações. Neste sentido, a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro (SMS-Rio) apresenta o Protocolo de Enfrentamento ao Calor Extremo, com o objetivo principal de nortear as ações de saúde durante ondas de calor, visando a proteção e mitigação dos riscos à saúde da população. Essa publicação integra o protocolo da Prefeitura do Rio de Janeiro e é uma iniciativa pioneira e crucial para proteger a saúde da população carioca e assegurar o atendimento adequado diante dessas situações, em um contexto de eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes.

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