Sobre Prosas feministas em tempos de pandemia

Esse livro é fruto de um processo coletivo que teve seu pontapé inicial em uma manhã de junho de 2020, poucas semanas após o início da pandemia de Coronavírus no Brasil, quando acabava de ser deflagrado o isolamento social como principal meio, antes da disponibilização das vacinas, de combate ao vírus. Em uma ligação de vídeo via whatsapp que conectava Brasil e França, duas amigas pesquisadoras, agora organizadoras deste livro, conversaram sobre a importância de fazer uma live, em meio a tantas atividades online que pululavam nas redes, para discutir a condição das mulheres naquele contexto. Eram recentes as chocantes notícias que relatavam casos de empregadas domésticas obrigadas a se mudar para a residência onde trabalhavam com o intuito de proteger os patrões (é claro) do possível contágio. Era também indignante o caso da morte de uma trabalhadora doméstica de Covid-19 após ter sido contaminada pelos patrões que acabavam de chegar da Europa e não tiveram um mínimo cuidado: evitar o contato por alguns dias com sua funcionária. Michelle Franco Redondo, estudiosa da teoria do Care há mais de uma década, estava escrevendo sobre o tema, e Ana Elisa Cruz Corrêa desenvolvia com suas orientandas uma pesquisa coletiva sobre as demandas das mulheres no interior dos movimentos sociais em um contexto de crise. Em contato posterior, Luciana Henrique da Silva se interessou pelo projeto, incluindo suas orientandas que pesquisavam temas que relacionavam classe, raça e gênero.

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