Sobre Diagnóstico da Cadeia Produtiva da Aquicultura no Litoral do Piauí

Nas últimas décadas, a aquicultura teve uma expansão média de 3,2% ao ano, superando o crescimento populacional e a produção de todos os outros alimentos de origem animal como: carnes, laticínios e leite. Atualmente, o setor fornece 53% de todos os pescados utilizados para a alimentação humana e estima-se que até 2030 este índice chegará a 60%, evidenciando o potencial de crescimento da atividade e a ótima perspectiva do setor para os próximos anos. No estado do Piauí, a produção aquícola está presente em todos os municípios (IBGE, 2021) e é representada principalmente pela piscicultura e pela carcinicultura. Apesar da importância da aquicultura como fonte de alimento, renda e lazer para a população mundial, no Piauí, particularmente na planície litorânea piauiense, a atividade ainda é subexplorada, pouco desenvolvida em termos tecnológicos e carente de informações sobre a organização da sua cadeia produtiva local. Isto impede a percepção das oportunidades de investimento na área e anula, consequentemente, uma importante ferramenta para o desenvolvimento territorial. Neste contexto, a Zona de Processamento de Exportações (ZPE), localizada em Parnaíba, apresenta-se como um importante meio para alavancar o desenvolvimento dos setores agroindustriais como a aquicultura e pesca, por exemplo, e solucionar os problemas regionais no âmbito econômico e social (CRUZ; HESPANHOL, 2021) através da atração de investimentos para a modernização e difusão tecnológica em busca de exportações (OLIVEIRA, 2015). A atração de investimentos para setor de produção aquícola industrial exige uma cadeia produtiva bem estruturada, quanto à oferta de insumos básicos, difusão de tecnologia, capacitação de recursos humanos, assistência técnica, incentivos governamentais, processamento da produção, marketing e comercialização dos produtos cultivados, além da possibilidade de integração ou associação dos produtores familiares aos empreendimentos industriais (OSTRENSKY; BORGHETTI; SOTO, 2007). Mesmo que cada segmento da cadeia produtiva da aquicultura seja constituído por empresas privadas, cabe ao governo a função de organizar sua estrutura, capacitar recursos humanos e fomentar o desenvolvimento de tecnologia e inovação para aumentar a atração de investimentos, aperfeiçoar sua capacidade produtiva local e atender a demanda do mercado (SILVA, 2005; PEREIRA et al., 2010). Por sua vez, para que a gestão da cadeia produtiva se torne eficaz, é necessário que haja informações sobre o modo de atuação e os problemas e anseios de todos os elos que compõem a cadeia. Estas informações precisam ser compartilhadas entre os atores e os gestores para que haja domínio dos fatores relacionados à produção e à comercialização do pescado (OSTRENSKY; BORGHETTI; SOTO, 2007). Neste sentido, os diagnósticos de cadeia produtiva visam identificar a maneira como atuam cada um dos setores e os gargalos que os afetam para que a administração proponha soluções para o reordenamento da atividade.

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