
Ficha del libro
Poetas do Vale XI
Sobre Poetas do Vale XI
Apresentação Conforto aos nossos corações Mauro Ulrich* Quando li a mensagem que o Tiago enviou pelo celular me pedindo para escrever um texto de apresentação para o próximo Poetas do Vale, era sábado, pela manhã, de setembro, o que só reforça um antigo pensamento meu de que as boas notícias sempre nos chegam assim, numa clara e fresca manhã de setembro. Poderia ter lido a mensagem à noite, ou no decorrer da tarde, mas o aparelhinho, repousando na mesinha ao lado da cama, acusou que tinha alguém me chamando e que talvez já fosse mesmo hora de acordar e ficar mais (d)esperto. As más notícias chegam sempre pela madrugada, com um susto. As boas, nas manhãs de setembro, com o cheiro do café e do doce aroma das flores, e só o Tiago, mesmo, para me fazer já não ter mais nenhuma dúvida sobre isto. Daí que me veio na memória uma enxurrada de outras coisas assim boas que suponho só possam ter acontecido em manhãs de setembro. Entre elas, o convite que Dona Ely me fez uma vez para participar do Poetas do Vale, em 1988, minha estreia oficial em uma publicação com um caráter mais... mais... mais sério, digamos assim. Puxa, ali naquela turma, de poetas de verdade, de Cachoeira do Sul e arredores, estavam todos os meus ídolos, os meus heróis, e eu, garoto ainda, iria então fazer parte daquela confraria mágica como uma espécie de amuleto, o caçula da galera, o piá, como dizia a Pegi. Ah, era a glória! Como se eu tivesse sido eleito para uma academia de letras. E como foi bom, meu Deus, como foi bom! Ter poemas publicados no Poetas do Vale era o passaporte para o reconhecimento. Era como beliscar o Prêmio Nobel. Era, enfim, o amadurecimento literário do guri, iniciante, em começo de carreira, e a oportunidade de sentar junto com eles, compartilhar com eles a mesma mesa, os meus maiores ídolos vivos - em carne, osso e nuvens -, que eu supunha inatingíveis. E a presença física, sólida, do livro impresso, na estante da sala da casa dos meus pais era como a minha permanência, também, ali, já que depois ganhei mundo e a certeza de que, com poesia, fica tudo muito mais fácil e recompensador. É como planar nas aventuras. Hoje, o Poetas do Vale me faz voltar no tempo e desfrutar daquela mesma emoção e sensação de euforia. Não tão guri, é claro, mas com a igual motivação e com um sentimento incomum de estar fazendo algo verdadeiramente importante para esta cidade que eu tanto amo e que tão bem me acolheu quando nela morei nos longínquos e agitados anos de 1980. Com uma região pródiga e prolífera em bons autores, o Poetas do Vale tem sido ao longo das últimas décadas, uma publicação fundamental tanto para os veteranos, como eu, quanto para os que, também como eu (naquela época) necessitavam de caminhos para pavimentar os seus escritos poéticos - muitas vezes subjugados ao fundo bem fundo de uma gaveta úmida, cheirando a mofo.
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